Fechamento das padarias aos domingos é retrocesso, diz Sindipćes

A notificação recomendatória do Ministério Público Estadual (MPE), para evitar o fechamento das padarias aos domingos, ainda não chegou ao Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Espírito Santo (Sindipães), segundo o presidente do sindicato, Flávio Sérgio Andrade. Sem a existência de uma obrigatoriedade, o sindicato não seria contra o fechamento de padarias aos domingos. O presidente falou que cada estabelecimento poderia agir conforme suas necessidades e que considera um retrocesso a reivindicação dos trabalhadores.

"Não há necessidade de fechamento das padarias aos domingos, se isso acontecesse, o Estado andaria para trás. O Espírito Santo está em uma fase de ascensão em relação ao turismo, e em comparação a outros Estados, tudo funciona nos fins de semana. Sem contar, que muitas pessoas se alimentam com apenas um pãozinho, no valor apenas de R$ 0,30, nas manhãs de domingo", explica Andrade.

O presidente afirmou que dependendo da localização da padaria, a demanda nos trabalhos durante o domingo é considerada fraca, e em alguns estabelecimentos é comum o fechamento no período da tarde. "Não existe nenhuma obrigatoriedade, vamos começar a discutir no final do mes de junho, sobre convenção coletiva, e serão analisadas as reinvidicaçãoes", conta o presidente do Sindipães, em entrevista ao programa CBN Cotidiano, na tarde desta quarta-feira (17).

Sobrecarga nas padarias com supermercados fechados

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Massa e Derivados (Sintramassas), Ari Jorge Floriano de Siqueira, explicou que as reivindicações para o fechamento das padarias aos domingos se deve ao excesso de jornada. Ele reclamou também dos baixos salários e sobrecarga de serviços nos fins de semana, resultado do fechamento dos supermercados.

"Os funcionários das padarias já não recebem bem, cada trabalhador recebe em média R$550,00 mensais e precisam trabalhar 6 semanas para terem direito à uma folga. Sem contar que a jornada do fim de semana é bem maior, os trabalhadores trabalham até 14 horas no domingo, bem além da jornada de aproximadamente 8 horas", afirmou Floriano.

Segundo o presidente do Sintramassas, a convensão coletiva garante o recebimento em dobro para o domingo trabalhado, mas por falta de fiscalização isto não acontece, desta forma vários empregados trocam os bancos de horas por folgas, durante a semana. O representante dos empresários rebateu as informações.

"Nós não estamos impondo nada, estamos levando as nossas necessidades à sociedade. Eu não sabia que a população comia tanto pão. Percebemos o funcionamento de padarias até às 23h. Faço um desafio para ver se encontrarão pão até neste horário! Se as pessoas estão indo às padarias para comer lanche e pizza, esclareço que para isso existem as pizzarias, shoppings e retaurantes. As padarias não existem para esta finalidade. A população não tem o hábito de comprar pão no período da noite", desabafou o presidente.

Floriano informou que são aproximadamente 20 mil trabalhadores em cerca de 2,1 mil panificadoras no Estado, deste total, 16 mil trabalham em aproximadamente 1,5 mil padarias na Grande Vitória.

Fonte: Gazeta Online

 


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