Lei para reduzir sal em pćes enfurece padeiros alemćes

Dirigentes da União Européia se ofereceram para dialogar com os padeiros da Alemanha, em um esforço para tentar atenuar a mais recente crise quanto a propostas de regulamentação apresentadas pelos burocratas europeus instalados em Bruxelas, na Bélgica.

Ecoando a recente indignação que tomou conta do país quanto a um projeto de regulamentação que disporia o tamanho, forma e textura das frutas e legumes vendidos na União Européia, os padeiros da Alemanha agora estão criticando uma proposta que os forçaria a mudar o teor de sal presente em seus produtos.

A raiva dos padeiros - que condenaram os burocratas europeus acomodados em Bruxelas e os definiram como "polícia do sabor" - parece refletir o crescente ressentimento quanto à União Européia em um país que por muito tempo esteve entre os mais ardorosos partidários da organização.

A reação dos padeiros alemães, que são representados tanto por uma associação federal quanto por grupos regionais de lobby espalhados pelo país, foi tão intensa que o comissário da Saúde da União Européia, Androulla Vassiliou, adiou na quarta-feira sua decisão final sobre os novos regulamentos.

"Nosso objetivo é fornecer aos consumidores a melhor informação, de forma a que eles possam realizar escolhas informadas", disse Nina Papadoulaki, porta-voz da Comissão Européia. "A Comissão não tem a intenção de proibir o consumo de qualquer forma de pão. Decidimos continuar nossas negociações com todos os interessados na questão".

Os padeiros se mantiveram céticos a respeito dessa postura, alegando que estavam convencidos de que as autoridades de Bruxelas tentariam ditar mudanças nas receitas de seus pães e de outros produtos de panificação, como o muito popular - e muito salgado - pretzel, assim que as eleições para o Parlamento Europeu, marcadas para junho, tiverem passado.

Os pesados pães alemães são feitos com uma massa escura e marrom e representam o principal alimento nos cafés da manhã e nos jantares do país. Suas receitas em geral envolvem o uso de 1,5 grama de sal para cada 100 gramas de farinha. A Comissão Européia propôs reduzir o nível de sal para o nível de um grama por 100 gramas de farinha.

"O que a União Européia está fazendo nesse caso representa uma interferência das mais estúpidas", disse Matthias Wiemers, presidente da Associação Central das Padarias Alemãs, uma organização setorial que representa 12 mil das 15 mil padarias instaladas no país.

"A União Européia está tentando mudar a maneira pela qual nós fazemos o nosso mão, mudar a maneira pela qual o comercializamos - e, acima de tudo, está tentando mudar o sabor de nosso pão", disse Wiemers. "E tudo isso está acontecendo apenas alguns meses antes que vamos às urnas para eleger um novo Parlamento Europeu. É exatamente esse tipo de interferência e de regulamentação exagerada, de parte de Bruxelas, que irrita os cidadãos e torna a União Européia tão impopular".

Três meses atrás, funcionários dos governos de diversos países europeus concordaram em revogar 100 páginas de regulamentos que estabeleciam padrões de textura e de aparência para 26 espécies de frutas e legumes. Os críticos muitas vezes mencionam esses regulamentos como prova da tendência da União Européia a se imiscuir em assuntos irrelevantes.

Os padeiros alemães apontam que, no caso em questão, a União Européia não está apenas tentando ditar o sabor mas solapando seu objetivo de melhorar a eficiência energética. "Assim, estamos sendo convidados a alterar nossas receitas pela redução do nível de sal. Mas isso significa que teremos de assar o pão por mais tempo, e empregar mais energia nessa atividade", disse Roland Ried, porta-voz das 2,5 mil padarias da Baviera.

Os padeiros alemães já começaram a se irritar em novembro, quando a comissão decidiu que era hora de pôr fim a três anos de disputa sobre os requerimentos de informação nos rótulos de produtos alimentícios, e sobre os possíveis alertas de saúde que os rótulos teriam de incluir.

Em 2006, em uma medida que era vista como uma maneira de tentar promover uma melhora na saúde das pessoas por meio de informações que, por exemplo, as ajudassem a reduzir seu consumo de sal, açúcar e gorduras saturadas, a Comissão Européia publicou um estudo consultivo sobre práticas de rotulação de produtos alimentícios.

As informações que os rótulos devem conter foram definidas como "uma importante ferramenta de mercado que deve ser vista como parte integral da comunicação entre agentes sociais", o documento afirmava. Tão logo o estudo foi publicado, a comissão recebeu um dilúvio de sugestões e de queixas de organizações setoriais e de pressão que representam praticamente todos os segmentos da indústria da alimentação.

Fonte: Terra


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